sábado, 6 de agosto de 2011

CONTANDO HISTORIAS DE QUEM JA SE FOI, MAS FEZ A HISTORIA

Um quarto dos pacientes que lutam contra a leucemia farão o transplante



O mineiro Felipe Henrique não conseguiu. Ele morreu na semana passada, mas
realizou um feito: mobilizou, pela internet, centenas de pessoas a realizarem
esse ato de amor.






























Belo Horizonte — Neste momento, 800 pacientes no Brasil estão lutando contra o diagnóstico de leucemia (câncer do sangue) e se inscreveram para conseguir um doador de medula óssea compatível. Desses, apenas 210 vão fazer o transplante até o fim do ano. Nem todos têm tempo para esperar até surgir a medula salvadora, caso do estudante de computação da PUC-MG Felipe

Henrique da Silva, 25 anos, de Belo Horizonte. Ele morreu na semana passada, depois de enfrentar mais de 60 dias de internação. O jovem deixou uma mensagem de esperança, ao lançar uma campanha via e-mail que atraiu a simpatia de centenas de doadores, com repercussão no Brasil e no exterior, o que aumentou o movimento de doação de medula na Fundação Hemominas.


“Tem gente com medo de ser doador de medula óssea. Acha que vai doer, que
vão cortar um pedaço do osso ou da coluna, que pode ficar sem andar. Não tem
nada disso. O procedimento é simples, igual a doar sangue e pode salvar uma vida,
mesmo que não seja a minha”, disse Felipe, em entrevista ao jornal Estado de
Minas, há 10 dias, quando ainda estava bem de saúde. No curto período, o quadro
de leucemia mieloide aguda agravou-se. Se tivesse conseguido a medula óssea
compatível, ele teria recebido o transplante por aférese, espécie de transfusão de
sangue feita por meio de um aparelho ligado ao doador, que, cinco dias antes,
ingere substância que faz aumentar no sangue a produção de células-tronco a
serem doadas.

A outra modalidade de doação, que causa mais medo no doador, é a retirada do
líquido da medula óssea por meio de punção com agulha no osso da bacia.
O doador deve ser internado por até 48 horas e recebe uma anestesia que paralisa
da cintura para baixo, a mesma aplicada no parto de gestantes. “Os maiores heróis
são os nossos doadores, que oferecem um pouquinho da sua medula (15%).
O material logo se regenera (em 15 dias) e eles ajudam a salvar vidas.
Gostaríamos de ajudar todo mundo que precisa, mas já foi muito pior”, diz o
médico Luís Fernando Bouzas, coordenador do Registro Nacional de Doadores de
Medula Óssea (Redome), no Rio de Janeiro, a cargo do Instituto Nacional do Câncer
José Alencar (Inca).


Na época em que Bouzas fundou o banco de doadores, em 1993, o Brasil fazia
apenas 23 transplantes de medula óssea. Esse número aumentou mais de 10
vezes e deve atingir 210 transplantes até o fim do ano, dos 800 pacientes
cadastrados já prontos para a operação. Ao todo, 2,5 mil pessoas acusam ter a
doença no país, mas nem todas estão em boas condições de saúde para fazer
o transplante, já providenciaram a papelada ou apresentaram o exame genético
necessário para dar início ao processo. No caso do mineiro Felipe Henrique,
ninguém da família — a mãe, o pai, o irmão e parentes próximos — apresentou
compatibilidade para doar a medula. Entre familiares, a chance aumenta para 25%.


Felipe lutou até o fim contra a leucemia mieloide aguda, exatamente o mesmo tipo
de doença que acometeu a atriz Drica Moraes, 40 anos, em fevereiro.
Ela também não encontrou compatibilidade entre familiares. “A doença estava fora
de controle, ela não vinha bem no tratamento e teve a sorte de encontrar um
doador 100% compatível com ela aqui no Brasil, logo ao fazer a inscrição”, explica
Bouzas, que não pode revelar o estado de origem do doador. Segundo ele, o
doador já havia feito todos os exames complementares em prol de outro paciente,
que acabou não precisando do transplante, o que agilizou o processo, beneficiando
indiretamente a atriz. Em entrevistas a programas de televisão, hoje já curada,
Drica faz um esforço sobre-humano para se dedicar ao filho adotivo e diz que as
coisas para ela mais vitais — o filho e a medula — vêm de anônimos, aos quais
agradece todas as manhãs.


SERVIÇO
Caso você decida doar

1. O interessado precisa ter mais de 16 anos e estar em bom estado geral de
saúde (sem doença infecciosa ou incapacitante).

2. Onde e quando doar
É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros.

Como é feita a doação

1 - Uma pequena quantidade de sangue (5ml) é retirada, em procedimento
semelhante à doação de sangue e preenchida uma ficha com informações pessoais.

2 - O sangue é tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de
laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar
no transplante. O tipo de HLA do paciente será incluído no cadastro.

3- Os dados são cruzados constantemente com os dos pacientes que precisam
de transplante de medula óssea. Se o doador for compatível com algum paciente,
outros exames de sangue são necessários.

4 - Se a compatibilidade for confirmada, a pessoa é consultada para confirmar
que deseja realizar a doação. O atual estado de saúde é avaliado.

5 - A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia
peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Outra maneira
é a doação por aférese, espécie de transfusão de sangue, que não requer
internação. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais
depois da primeira semana.

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