sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A luta por um transplante de medula




Segundo o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), em 2000, o número de doadores de medula óssea era de 12 mil. Dez anos depois este número saltou para dois milhões.

Parece muito, mas não é. Isso porque o número de pacientes ansiosos à espera de um doador é de 1.200 e as chances de compatibilidade fora do ciclo familiar são de uma em 100 mil.
Um desses pacientes que entrou recentemente na lista de doadores é Pedro, de apenas um ano e três meses. A doença foi diagnosticada no dia 15 de junho de 2011 e agora os pais do menino criaram um blog para relatar a luta do filho pela vida e conscientizar as pessoas da importância de se tornar um doador de medula óssea.

"A nossa luta é árdua. Só usamos as redes sociais e não tenho material gráfico para divulgar. O governo não faz campanhas, não ajuda. Além disso, as pessoas têm pouquíssima informação sobre o assunto, não sabem como fazer a doação e nem que o cadastro fica no banco por mais de 20 anos", diz Julia Ingrid Ribeiro, de 21 anos, mãe de Pedro.

Ela lembra que o diagnóstico só foi feito corretamente depois de muita briga. Tudo começou no dia 12 de junho, quando Pedro parecia desanimado, cansado. No dia seguinte, com inchaço na barriga e diarreia, Julia o levou ao médico, que alegou ser uma cólica. No dia 14, o menino não conseguia ficar em pé. Após avaliação, o médico diagnosticou como dor de crescimento e manha. Revoltada, a mãe pediu um hemograma, mas não conseguiu.

No dia 15, Pedro ardia em febre e tinha dores no corpo. Acreditando que era dengue, a médica pediu que mãe e filho voltassem no dia seguinte. Mas Julia exigiu o hemograma naquela hora. Depois de oito horas veio o resultado: câncer de medula. "A mãe não deve confiar no primeiro médico. Se achar que o filho não está bem, procure outros. O diagnóstico da doença do Pedro foi questão de tempo. Se eu não tivesse ido a vários médicos talvez meu filho não estivesse comigo agora", diz.

Desde que Pedro passou mal, Júlia só tem olhos para o filho. Ela era operadora de caixa numa farmácia e agora vive com R$ 545 do INSS. O marido trabalha com o pai numa serralheria, mas nem sempre há serviço para fazer, o que não gera uma renda fixa mensal. Os três dividem o terreno com os pais e o irmão do marido de Júlia.

A quimioterapia de Pedro ainda não começou, pois conforme explica Júlia, a quantidade de leucócitos (glóbulos brancos) não era suficiente para iniciar o procedimento. "Meu filho terá que ficar internado por seis dias recebendo a bomba de quimioterapia de maneira constante. Não poderá ser tirada nem para tomar banho. E para que ele suporte essa carga, ela precisa estar muito bem". E completa: "Nesse processo, ele não pode correr o risco de ter febre, pois pode ser sinal de uma infecção generalizada", se preocupa.

O tratamento de Pedro está sendo realizado no Hospital IPPMG, conhecido como Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro. Júlia demora pouco mais de duas horas para chegar ao hospital. "Saio às 5h da manhã e chego lá umas 7h15. Se eu pegar engarrafamento chego depois das 8h. Vou quase todos os dias para lá com meu filho", conta.

Ainda não apareceu nenhum doador compatível, mas os familiares e amigos de Pedro estão se mobilizando. No dia 10 de setembro, 47 pessoas dispostas a se tornarem doadoras de medula lotaram um ônibus e foram até o INCA (Instituto Nacional do Câncer). E no dia 24 de setembro mais 47 pessoas vão até o local para se tornarem doadores. "Desta vez, a Chris Flores (Hoje em Dia, da TV Record) disse que vai pagar o ônibus para levar todo mundo ao INCA", comentou Júlia.

A mãe de Pedro deixa uma mensagem de esperança para as mães que atualmente passam por essa situação: "É preciso ter fé, confiar em Deus, para que Ele toque o coração das pessoas. Elas devem pensar que poderia ser o filho delas ou um irmão. Só quem é mãe sabe o sofrimento, os ‘nãos’ que recebe de muita gente. Mas eu sei que o doador vai aparecer."

Para você, que pretende ser um doador, fique atenta a estas informações fornecidas pelo INCA:

- Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde pode fazer a doação;

- Os interessados devem se dirigir aos hemocentros localizados nos estados para preencher um formulário com dados pessoais. Depois é coletada pela veia uma amostra de sangue com 5ml para testes, que vão determinar as características genéticas que são necessárias definir a compatibilidade entre o doador e o paciente;

- Os dados do doador serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação;

- A doação da medula é feita em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia, e aspirada no máximo 15% da medula. Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada. E, normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana.

- O paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue.

http://vilamulher.terra.com.br/a-luta-por-um-transplante-de-medula-8-1-55-734.html
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