quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pernambuco ganhará centro de transplante de pâncreas, ossos e pele no Recife




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Pernambuco ganhará centro de transplante de pâncreas, ossos e pele no Recife. Imagens: Ed Wanderley/DP/D.A Press


Pernambuco ganhará o primeiro centro de transplante de pâncreas do Norte-Nordeste e seu primeiro banco de tecidos para procedimentos envolvendo pele e ossos doados de cadáveres. As unidades passarão a funcionar no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, o Imip, a partir do próximo dia 21 de novembro. Além disso, pacientes que aguardam por uma medula óssea compatível também poderão contar com o serviço da instituição, que operará com pacientes aparentados e não aparentados em caso de enfermidades de ordem sanguínea e câncer.

De acordo com o coordenador da Unidade Geral de Transplantes, Amaro Medeiros, apenas dois transplantes de pâncreas foram realizados em Pernambuco, no ano de 2006. No país, o procedimento já é realizado nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além de delicada, a cirurgia é mais indicada para pacientes acometidos de diabetes do tipo 1, que provoca falência renal. Justamente por isso, a intervenção normalmente é dupla, envolvendo, também, o transplante de um rim, o que torna a sua realização ainda mais difícil. “Temos que buscar um paciente ′ótimo`, que seja jovem, com tecidos bem conservados, sem complicações dos órgãos e tenha morte encefálica. Normalmente, são casos de acidentes com motos em que a família aceita doar os órgãos do paciente”, explica.

Por enquanto, apenas cinco pacientes são candidatos ao transplante duplo de pâncreas e rim. O primeiro deles, Lindomar Alves da Silva, de 40 anos, convive com o diabetes tipo 1 desde os sete. Há dois anos, passou a sofrer falência renal e, junto à hemodiálise, veio a possibilidade de ingressar na modalidade de transplante duplo, tipo que reduz em até um sexto do tempo de espera pelos um órgãos em filas dos métodos convencionais. A mãe, Edite Alves, acompanha de perto a luta diária do filho, submetido à hemodiálise todas as semanas. "Vai ser muito bom pra todos nós. Ele é otimista, acredito que tudo vai dar certo e ele vai nascer denovo", resume.

O banco de tecidos do Imip também será novidade no tratamento de pacientes ortopédicos ou vítimas de queimaduras no estado. Até então, os procedimentos realizados nas unidades de saúde, em geral, eram realizados com enxertos, comumente retirados de partes sadias do corpo do próprio paciente. “Dessa forma teremos um avanço, podendo promover melhorias de vida a partir de quem já não terá mais uso desses órgãos, claro, com o consentimento dos familiares”, defende Medeiros.

O avanço representa investimentos da ordem de R$ 2 milhões. A renovação do processo ainda contempla pacientes que aguardam por um transplante de medula óssea, que poderão ser contemplados por doadores aparentados ou não, cuja referência, no estado, é o Real Hospital Português. A estrutura, que já está organizada, contempla cinco leitos de internação para procedimentos e outros dez voltadas ao day-clinic, que é o acompanhamento da evolução dos pacientes, antes e depois do transplante.

Rins – Pacientes renais também terão uma estrutura de acompanhamento e recuperação após os transplantes realizados no Recife. De acordo com projeto da Prefeitura, parte da renda arrecadada durante as próximas edições carnavalescas do Baile Municipal será revertida para a estruturação de uma casa de apoio para pacientes que já tenham recebido a doação de um rim.

Figura emblemática da luta contra o problema, o prefeito João da Costa visitou, nesta terça-feira, a ala de pacientes renais do Imip, um ano após ter sido submetido a um transplante do mesmo tipo. “Ainda faltam alguns detalhes, mas há o interesse nessa negociação. No que diz respeito a outros investimentos, procuraremos buscar a atenção à saúde básica e prevenção, para evitar que a população desenvolva problemas como estes”, afirmou.

Para alguns dos pacientes que se encontram internados na ala renal, a visita do prefeito significa uma forma de democratização das questões de saúde e a possibilidade de recuperação. Internado há quatro meses, após desenvolver complicações intestinais depois do transplante, o agricultor da cidade de Surubim, José Heleno Ferreira, de 58 anos, reconheceu o político de imediato. “É bom uma visita assim. Ele teve o mesmo problema que eu. Hoje ele está bem, não está?”, resume, na certeza de que dias melhores ainda estão por vir.

Por Ed Wanderley

http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20111011151816&assunto=71&onde=VidaUrbana

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