quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Protesto contra fechamento do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Hemope

Servidores de saúde e pacientes realizaram um protesto na manhã de hoje contra o fechamento do Centro de Transplante de Medula Óssea da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (CTMOHemope) anunciado pela Secretaria de Saúde do Estado. O protesto aconteceu em frente ao Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco, na avenida Conselheiro Rosa e Silva. De acordo com anúncio da Secretaria de Saúde, a unidade deve parar de atender em dezembro deste ano.

"Esta decisão não pode acontecer, pois os pacientes que dependem do Serviço Único de Saúde não terão condições de recorrerem a hospitais públicos e isso poderá acarretar em mortes", explica o coordenador da Frente Pernambucana em Defesa do SUS e contra a Privatização da Saúde, Antônio Jordão. De acordo com ele, mesmo que os transplantes possam ser feitos pelos hospitais particulares, o mesmo não pode ser dito do acompanhamento do paciente nos períodos pré e pós operatório.

O Governo de Pernambuco anunciou o fechamento do CTMOHemope como um plano de reestruturação da fundação, que passará a ser exclusivo para casos de doenças sanguíneas. Com 10 anos de funcionamento, o CTMO possui apenas três leitos e fez um total de 73 transplantes neste período. A unidade atende paciente com leucemia e linfoma, tipos de câncer que afetam o sistema linfático e a produção de sangue. Com o fechamento, os pacientes do Hemope serão encaminhados ao Hospital Português, que possui um convênio com a rede pública de saúde.

Quanto ao fechamento do CTMO, o Governo de Pernambuco, através de nota opficial, informou que o Centro vem apresentando problemas como baixíssima produtividade nos últimos 10 anos e impossibilidade de expansão de leitos na atual área de 245 metros quadrados. O centro, com 42 funcionários, vem realizando, nos últimos 10 anos, uma quantidade bem aquém da necessidade e o custo anual do serviço é R$ 5 milhões, o que significa R$ 700 mil por transplante. O Hospital Português, com reconhecida capacidade nessa especialidade, realizará cada procedimento a um custo de R$ 33 mil, ou seja, 21 vezes inferior.

"A situação de quem precisa de um transplante de medula é muito delicada. Não basta apenas passar pelo procedimento cirúrgico, já que após a operação, o paciente precisar ser acompanhado por dois anos e mesmo depois desse período, é importante que sejam feitas consultas preventivas", explica a médica Tilma Belford.

Além dos médicos, pacientes também participaram do protesto. O vigilante Severino Correa da Silva, 47 anos, está com a esposa recém transplantada. "Ela esperou por muito tempoi e agora está se recuperando. O que farei com ela se eu não puder mais contar com o Hemope? Os médicos de lá acompanham o caso dela há anos. Não é apenas a estrutura, mas também o lado humano desses profissionais que pesa", afirma Severino.

PRIVATIZAÇÃO - O anúncio do fechamento do Hemope também levou os servidores e pacientes a entenderem essa ação como um primeiro passo para a privatização futura de outras unidades de atendimento gratuito à população. No começo da tarde, o grupo seguiu para o Ministério Público onde entregou um abaixo assinado contra o fechamento do Hemope.

A Secretaria Estadual de Saúde divulgou, em nota oficial que nenhum paciente que se trata no centro terá seu tratamento interrompido. Os transplantes continuarão sendo feitos no Hospital Português, que possui seis leitos (o dobro da estrutura atual) destinados ao SUS e realiza 90 procedimentos por ano. Além disso, em2013, será entregue à população o novo Centro de Transplante de Medula Óssea, que será construído dentro do Hospital do Câncer de Pernambuco.

http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20111111075513&assunto=71&onde=VidaUrbana

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