segunda-feira, 21 de maio de 2012

Baixo estoque de sangue em hemocentros do Brasil adia cirurgias



Na Santa Casa de São Paulo, o estoque de sangue está com 30% da capacidade. Em Belo Horizonte, o número de doadores diminuiu 17%.

É gravíssima a situação nos estoques dos bancos de sangue de todo o país. Cirurgias estão sendo adiadas.

Sala de espera: vazia. Poltronas: vazias. Estoque de sangue: quase.

“Olha o que temos em estoque de sangue, o Rh negativo: três unidades. Isso para um paciente pode não ser suficiente”, alerta Dante Langhi, coordenador do Hemocentro da Santa Casa.

Na Santa Casa de São Paulo, o estoque de sangue está com 30% da capacidade.

“Faz muito tempo que eu não vejo uma situação tão dramática como essa”, revela Dante.

A média é de 70 doadores de sangue por dia. Normalmente, são 200. Eles também andam sumidos de outros hemocentros. O frio, tradicionalmente, provoca isso.

“Estamos também na época da vacina da gripe, que também tem um período para essas pessoas poderem vir doar sangue, e estamos próximo agora da época de férias, a partir de junho, então isso nos preocupa bastante”, explica Rivânia Andrade, coordenadora do Banco de Sangue do Hospital AC Camargo.

Em Belo Horizonte, o número de doadores diminuiu 17% esta semana. Em Curitiba, 30%. No Rio de Janeiro, o movimento caiu quase pela metade.

A baixa nos estoques chega a comprometer o atendimento nos hospitais. Algumas cirurgias que já tinham sido agendadas estão até sendo remarcadas para que não falte sangue nos casos de emergência.

O hospital avisou a professora Anna Maria Trapp: a delicada operação para retirada de um tumor teria que ficar para depois.

“A frustração é muito grande, porque você sabe que necessita da cirurgia para poder continuar viva”, lamenta a professora.

Ela descobriu que talvez falte mobilização. Mas solidariedade, não. A família divulgou o problema na internet. Apareceram 50 doadores. Anna fez a operação no dia seguinte.

“Eu agradeço todos os dias a essas pessoas que vieram aqui salvar minha vida”, diz.


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