quarta-feira, 25 de julho de 2012

Transplante de medula óssea como opção terapêutica de doenças: evolução, desafios e papel do TMO


No Brasil, número de TMOs cresceu mais de 100% nos últimos dez anos. Assunto será debatido no XVI Congresso da SBTMO.
O transplante de medula óssea (TMO) como opção terapêutica de doenças do sangue benignas e malignas será alvo de discussão de hematologistas e profissionais que atuam na área, como enfermeiros, dentistas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e fisioterapeutas, durante o XVI Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (XVI CSBTMO), que acontece nos dias 2 a 5 de agosto, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
Em 2011 o número de TMOs realizados no Brasil chegou a um total de 1.732, o que representa um crescimento de 146,4% nos últimos dez anos, de acordo com dados divulgados no início deste ano (2012) pelo Ministério da Saúde. Segundo o diretor da SBTMO, Luis Fernando Bouzas, hoje o transplante pode ser feito de três formas: autogênico (autólogo), quando a medula ou as células são do próprio transplantado; alogênico, utiliza a medula óssea ou célula-tronco de um doador para um paciente; e o singênico, em que o doador é um irmão gêmeo.
Bouzas explica ainda que o transplante autogênico é designado a alguns tipos de doenças, principalmente as que não atingem a medula óssea ou em que é possível se separar a célula doente da célula sadia. Nesse caso se retira a medula, a armazena, e se trata o paciente com quimioterapia ou radioterapia para eliminar a doença. Às vezes é necessário também tratar a própria medula óssea que foi retirada para separar as células malignas das células benignas. “As indicações clássicas dos TMOs autogênico são o mieloma múltiplo, linfomas e tumores sólidos”, relata Bouzas.
Já o transplante alogênico possui duas modalidades, aparentado, quando o doador é irmão ou parente próximo compatível com o paciente; e não-aparentado, ou seja voluntários sem vínculo sanguíneo com o paciente, inscritos no Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (REDOME) ou de Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário públicos (BSCUP).
Atualmente, as doenças que mais exigem transplante alogênico são as leucemias agudas, tanto a linfoblástica (na qual as células precursoras dos linfócitos tornam-se cancerosas e substituem rapidamente as células normais da medula óssea) quanto a mieloblástica (na qual as células precursoras dos granulócitos, tornam-se cancerosas e, também, rapidamente substituem as células normais na medula óssea).
Evoluções e desafios -Ainda é considerado um desafio no campo dos transplantes a busca por doadores compatíveis e também na forma de lidar com mitos existentes em torno da doação de medula óssea. De acordo com Bouzas, as pessoas imaginam que a medula está na coluna vertebral. Muitos indivíduos têm medo quando se fala em doação de medula óssea. Quando está diante de alguém com dúvidas o médico explica que a medula espinhal é o tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e parte do sistema nervoso central. Já a medula óssea fica dentro dos ossos e é conhecida popularmente como tutano.
A medula óssea é um tecido semilíquido, onde são produzidas as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas, componentes do sangue. Ela é mais abundante em ossos como a bacia e a tíbia. Quando há a necessidade do transplante, é feita a “aspiração” da medula e realizada a transferência do tecido como um todo ou de células selecionadas.
Hoje existem técnicas em que se pode estimular as células e fazer com que elas saiam da medula óssea e circulem no sangue periférico. A técnica é chamada de mobilização celular e, por meio de uma “máquina” (aférese), pode-se colher o material a partir do sangue periférico. “A vantagem está em não ser necessário utilizar a técnica tradicional de aspiração da medula óssea em centro cirúrgico com anestesia.” Entretanto, Bouzas descarta a possibilidade de a aspiração tornar-se obsoleta.
Outra fonte que vem sendo cada vez mais utilizada é o sangue do cordão umbilical e placentário que é um material rico em células tronco hematopoiéticas que pode ser coletado, armazenado e utilizado para o transplante. Esta é uma das principais evoluções do transplante de medula óssea alogênico, de acordo com Bouzas, é o fato de o profissional poder usar o sangue periférico (veias) e o sangue do cordão umbilical como fonte de células tronco. “Graças a constituição dos Registros de Doadores voluntários e dos Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP), temos uma maior possibilidade de oferecer aos pacientes que não tinham um doador na família, a realização do transplante”, relata o di retor da SBTMO.
.[XVI Congresso da SBTMO,de 2 a 5 de agosto,no Hotel JP – Ribeirão Preto – SP|Site oficial:www.abhheventos.com.br/sbtmo2012| O encontro: http://www.sbtmo.org.br/noticia.php?id=104].


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