quarta-feira, 20 de março de 2013

Menina luta contra a leucemia por um sonho: 'Quero ser jardineira'


Robertha, de 9 anos, luta contra a leucemia (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Duas famílias de Santos , no litoral de São Paulo, se uniram para ajudar os filhos pequenos a vencer a leucemia. A menina Roberta, de 9 anos, e menino Porthus, de 13, não se conhecem mas tem histórias parecidas. Ela toma remédios, faz quimioterapia e com muito esforço, está reagindo bem à doença. Porthus já teve leucemia, conseguiu se curar, mas a doença voltou novamente e ele precisa de um transplante de medula óssea para viver.
Roberta Lisboa tem um sonho nada comum. “Eu quero ser jardineira porque eu gosto das flores”, conta ela. Mas há quase dois anos a vida da menina foi totalmente modificada depois que os pais descobriram que ela tem leucemia. “Ela começou a sentir dores nas pernas, muito cansaço e teve hemorragia. Eu levei ela no hospital, ela fez os exames e eles descobriram que ela tinha leucemia”, lembra Silvana Santos Lisboa, mãe de Roberta.
Depois disso, a luta da família começou. O pai dela, Roberto Lisboa, teve que entrar na justiça para obrigar o convênio medico pagar as despesas do tratamento. “Hoje ela está se tratando com a liminar. O advogado conseguiu essa liminar, mas estão tentando cancelar. Já tentaram três recursos”, conta ele. Ela começou a quimioterapia e vem reagindo muito bem. Por isso, o transplante de medula ainda não foi necessário.
O problema agora tem sido os remédios. Ela toma uma medicação contínua que custa caro. Os pais tem que ir para São Paulo comprar o remédio que não tem na Baixada Santista. “Um colega começou a pesquisar na internet e achou esse laboratório em São Paulo. Nós ligamos uma semana antes, encomendamos o remédio e pegamos em São Paulo”, lembra o pai de Roberta.
A menina está na fase final do tratamento. Ela já voltou a frequentar a escola, mas ainda precisa de muitos cuidados principalmente com relação a alimentação. “As verduras, legumes, têm que estar bem preparados. Ela também tinha dificuldades para sair de casa, o que foi a parte mais difícil já que ela gostava de ir pra praia e teve alguma privações”, lamenta a mãe.
O Departamento Regional de Saúde de Santos (DRS) informou que o medicamento Purinethol, utilizado por Robertha, não faz parte da lista preconizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Após solicitação encaminhada à Secretaria de Estado da Saúde, houve análise e aprovação do fornecimento. Uma notificação foi emitida à família no último dia 12 de março para que a medicação possa ser retirada. O DRS está à disposição da família para qualquer outro esclarecimento.
Outro caso
Já o menino Porthos Silva, de 13 anos, já passou pelo mesmo tratamento de Roberta e ficou curado. Porém, a leucemia voltou e agora ele precisa de um transplante de medula óssea. Essa tem sido a luta da família e dos amigos do menino. “Nós estamos aguardando os resultados de compatibilidade da nossa família que devem sair em 14 dias. Caso isso não seja possível, nós estamos aguardando a cura do nosso filho mediante a doação de uma pessoa estranha. Qualquer pessoa de Santos, do Brasil e do mundo, que possa ser compatível com a médula do Porthinhos”, disse a mãe dele, Gisele Silva Leite.
Porthos foi diagnosticado com leucemia em 2010 e foi para São Paulo fazer o tratamento, recebeu alta e ficou bem. No carnaval deste ano, a família descobriu que a doença tinha voltado. Após exames foi constatado que ele precisaria fazer o transplante de medula óssea. Desde que o sinais da leucemia voltaram, os amigos começaram uma campanha para motivá-lo a lutar contra a doença e pedir às pessoas que façam um cadastro no banco de medula. Até em uma partida de futsal do time sub-11 do Santos contra o Osasco o menino foi lembrado. “As pessoas estão mostrando o poder da solidariedade, das pessoas se unirem a favor da própria vida”, falou Gisele.
Sueli Moreira, amiga da família de Porthos, é a maior apoiadora da doação de medula óssea. Há 30 anos ela perdeu o irmão, vítima de leucemia, e até hoje luta para ajudar quem precisa de um transplante. Ela já doou duas vezes sua medula, desde que se cadastrou no início da década de 90. “A primeira doação em 1995, uma menina de 11 anos de Campinas, o qual ela também me ajuda hoje nas campanhas, ela vem e participa. A ideia é fazer campanhas para poder ajudar cada vez mais a aumentar o número de cadastros e aumentar as chances das pessoas”, disse Sueli.
Enquanto ele não encontra um doador compatível, Porthos continua fazendo quimioterapia. O torcedor do Santos e praticante de taekwondo está sob cuidados bem restritos e tem que ficar isolado a maior parte do tempo. Mesmo assim, ele faz questão de deixar um recado. “É muito importante. Você pode ajudar muitas pessoas com isso”, disse ele sobre a doação de medula óssea.

Doação de Medula
Para ser doador de medula óssea é preciso retirar 5ml de sangue. A partir disso, a pessoa já faz parte de um cadastro nacional de doadores de medula óssea. Na Baixada Santista, o procedimento pode ser realizado no Hemonúcleo de Santos, que fica no Hospital Guilherme Álvaro.

Sueli Craveiro, a enfermeira do hemonúcleo, explica como deve ser feito o cadastro para poder ser doador de medula. “Quanto mais gente melhor. Ajuda muito as pessoas que tem alguma doença do sangue e isso é fundamental. Basta ir no hospital, fazer o cadastro e colher um tubinho de sangue. A partir daí, ele já faz parte do cadastro nacional de doadores voluntários de medula óssea”, disse ela.
Segundo a enfermeira, uma pessoa é compatível para cada 100 mil. Sueli falou que há duas possibilidades de realizar o transplante de medula óssea. “O redome entra em contato com a pessoa que é compatível e outros exames detalhados serão feitos. Se confirmar a compatibilidade, ele será chamado e será feito a opção da doação. Pode ser feito como uma doação de sangue, que é feito em torno de quatro horas. Dali, a pessoa já está retomando as suas atividades. Ou, uma pulsão no osso da bacia, que é feito no centro cirúrgico sob anestesia geral e leva em torno de 40 minutos”, explicou.
Os doadores devem ser pessoas saudáveis que estejam em bom estado de saúde e que tenham entre 18 e 55 anos.
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