segunda-feira, 6 de maio de 2013

Projeto quer incentivar doação de sangue por meio do alistamento militar


Todo ano, mais de 1 milhão de jovens brasileiros se alistam para as forças armadas. O projeto “Cidadão Brasil” pretende estimular esse contingente da população a realizar doação de sangue. A intenção é criar uma “cultura” de doação por meio de solidariedade e compromisso social. “Vamos fazer um Brasil para todos, com pequenos (grandes) atos”, propõe o cidadão idealizador da iniciativa, Lívio Miranda.

A estratégia é fazer com que os potenciais doadores de sangue possam ser estimulados pelo próprio Ministério da Defesa a realizar a doação, de forma voluntária, durante o alistamento. “Dessa forma, o custo benefício do processo torna-se muito interessante. É uma forma eficaz e barata de construir e manter um banco de doadores de sangue durante todo o ano, todos os anos”, esclareceu Miranda.

 Além disso, segundo ele, a infraestrutura e a logística já existem e podem ser implantadas pela própria máquina estatal do Ministério da Saúde (MS), que comanda a Hemorede Brasileira, ficando o Ministério da Defesa (MD) com a coordenação nacional da campanha e os cadastros dos alistados que quiserem realizar o ato.

O projeto foi discutido entre o MD e MS. Segundo a Pasta da Saúde, a proposta seria inviável porque o alistamento militar dá-se nas Juntas de Serviço Militar (JSM) sob a presidência dos prefeitos municipais, a quem cabe mantê-las, sendo suas instalações inadequadas à coleta de sangue.

O ministério também afirmou que as equipes móveis, compostas por médicos, enfermeiros e motoristas, necessitariam ser montadas, tornando-se compensador apenas em cidades de grande porte, devido aos elevados custo das mesmas. Além disso, o maior fluxo de alistamento se dá no primeiro semestre, gerando demanda à coleta de sangue em um curto período do ano. A validade dos hemocomponentes, determinada pela legislação vigente no país varia de 5 a 30 dias, o que delimita o tempo de permanência dos mesmos em estoques após o que necessitam ser destruídos.

Segundo Miranda, no entanto, não haveria necessidade da coleta nas JSM, já que não existe infraestrutura para isso, mas este contingente poderia ser encaminhado para um Hemocentro mais próximo, onde iria por conta própria, para sua comodidade e segurança, simplificando o processo.

“Como o ato é voluntário, as coletas poderão ser agendadas e escalonadas nos próprios Hemocentros, de acordo com a demanda do país e conveniência dos ministérios envolvidos. Anualmente, temos um contingente expressivo, tanto em quantidade, como, principalmente, em qualidade. Já que apenas uma parcela dos alistados realmente servem às Forças Armadas, por meio de um cadastro simples, e quando necessário, o restante também poderia ajudar a pátria”, explica.

Outro ponto levantado pela Pasta foi a idade mínima de 18 anos para doar sangue, permitindo maiores de 16 anos, porém com autorização escrita dos pais ou responsáveis, em documento específico do MS. “Isso seria um problema que dois terços do efetivo alistado necessitaria de autorização dos pais, por não terem completado ainda, 18 anos de idade”, explicou o ministério. Além disso, o MS informou que não há falta de sangue no país, ocorrendo, em alguns períodos do ano, uma diminuição no estoque existente.

Já o Ministério da Defesa afirmou que as Forças Armadas participam ativamente nas campanhas de doação de sangue implementadas pelo MS, seja difundindo o ato como uma boa prática de cidadania, seja prestando o apoio em material ou pessoal.

Com relação especificamente ao projeto “Cidadão Brasil” a partir do Plano Geral de Convocação de 2013 foram autorizadas ações para aumentar a participação das Forças Armadas na conscientização da sociedade brasileira. Foram afixados nas JSM cartazes publicitários sobre o ato de doação de sangue e exibidos vídeos institucionais a serem apresentados nas Comissões de Seleção, voltados ao esclarecimento e à divulgação do ato de doação de sangue.

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