quarta-feira, 26 de junho de 2013

ONG quer viabilizar transplante de medula óssea com ampliação do hospital

Com quase 18 anos de trabalho e um hospital de mais de 10 mil m² construído, o Grupo Luta pela Vida, ONG mantenedora do Hospital do Câncer de Uberlândia, segue com grandes propósitos. O maior deles é reduzir o tempo de atendimento, que varia conforme o tipo de tratamento. Os mais próximos de serem realizados são a construção de um bloco cirúrgico e de um laboratório de transplante de medula óssea, que correspondem a uma ampliação de aproximadamente mais 8 mil m². Parte deste projeto tem possibilidade de ficar pronta ainda neste ano.
Atualmente, as cirurgias dos pacientes de oncologia são feitas no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e não há, nem na cidade nem na região, local para os transplantes de medula óssea, necessários nos casos dos chamados tumores moles, como a leucemia.
Hospital é administrado pelo Grupo Luta pela Vida (Foto: Paulo Augusto)
Hospital é administrado pelo Grupo Luta pela Vida (Foto: Paulo Augusto)
Hospital é administrado pelo Grupo Luta pela Vida
“O transplante que é necessário em quase 80% dos casos de tumores moles são os transplantes autólogos. Isso nós vamos começar em um curto período de tempo. Provavelmente, até o fim do ano, devemos ter algum espaço para experiência com esses transplantes. Mas existem os outros 20%, que é quando se necessita de doador e de um ambiente diferenciado. E isso é um pouco mais complicado”, afirmou o presidente do Grupo Luta pela Vida, Fernando Antônio Ferreira.
Quanto ao bloco cirúrgico, a intenção é construir oito salas. “Ainda não temos o projeto pronto, mas sabemos que serão investimentos muito significativos”, disse o administrador da ONG, Daniel Antunes. O orçamento previsto pelo Grupo Luta pela Vida para este ano é de cerca de R$ 3,5 milhões, mas ele não inclui as obras.
Todas as ampliações, assim como a construção do Hospital do Câncer, inaugurado em 2000, foram possíveis por meio da mobilização da comunidade. “O hospital foi todo construído com doações. Uns doavam um pouco de tijolo, alguns doaram heranças, terrenos. Nós rifávamos carro e fazíamos eventos na cidade inteira”, disse Ferreira.
A manutenção da unidade é feita pelo Grupo Luta pela Vida, que também arca com equipamentos e obras. O atendimento, oferecido gratuitamente via Sistema Único de Saúde (SUS), é gerenciado pela UFU. “Se fôssemos esperar pela obrigação do poder público, estaríamos do mesmo jeito até hoje”, afirmou o presidente da ONG.
Eurípedes Barra diz que média de cura no hospital é de 70% (Foto: Marcos Ribeiro)
Eurípedes Barra diz que média de cura no hospital é de 70% (Foto: Marcos Ribeiro)
Eurípedes Barra diz que média de cura no hospital é de 70%
De acordo com o diretor do Hospital do Câncer, o médico Eurípedes Barra, o Grupo Luta pela Vida permitiu que o tratamento oncológico oferecido em Uberlândia se tornasse referência, equiparando-se a alguns serviços privados. “A Ong permitiu que o setor de oncologia se diferenciasse dos demais setores do Hospital de Clínicas”, afirmou.
Segundo o médico, o índice médio de cura no Hospital do Câncer é de 70% dos pacientes, o que é compatível com os índices mundiais de qualificação. “A população de Uberlândia deve se orgulhar de ter o Hospital do Câncer e de ter o Grupo Luta pela Vida como representante.”
Capacidade é extrapolada em 25%
O Hospital do Câncer de Uberlândia tem atualmente entre 1,8 mil e 2 mil pessoas em tratamento e funciona 25% acima da capacidade. Por dia, são atendidos uma média de 150 pacientes, só na radioterapia. Na unidade, há 60 funcionários contratados pelo Grupo Luta pela Vida, ONG responsável pelo hospital, que também mantém um escritório com mais 35 funcionários. Para arcar com a manutenção da unidade, a ONG conta com doações de pessoas físicas e de empresas, além do auxílio prestado por 450 voluntários.
Segundo o administrador do Grupo Luta pela Vida, Daniel Antunes, cerca de 50 funcionários trabalham na captação de recursos, principalmente por meio de telemarketing. As doações das pessoas físicas, em média R$ 12 por pessoa, representam a maior fonte de receita da entidade.
A ONG desenvolveu também o programa Empresa Participativa, que dá um certificado às empresas que colaboram com o hospital. “Hoje temos aproximadamente 500 empresas parceiras. Algumas delas colaboram mensalmente e outras se responsabilizaram por algum projeto do hospital”, disse.
Também gera renda a venda de produtos artesanais confeccionados por voluntários e de roupas e de acessórios doados. O Núcleo de Voluntários da ONG mantém uma loja no saguão do hospital e promove, mensalmente, um bazar beneficente.

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