segunda-feira, 17 de junho de 2013

Transplante de medula óssea é capaz de eliminar vírus HIV

A edição de junho da Revista de Doenças Infecciosas, publicação americana mundialmente conhecida, traz um artigo que relata a realização de um transplante de medula óssea em dois pacientes com HIV, cujo resultado foi a eliminação do vírus da corrente sanguínea. A descoberta foi feita por pesquisadores de Boston, nos Estados Unidos. O caso relatado é diferente do publicado em 2009, quando um paciente portador do HIV com leucemia foi transplantado com uma medula óssea que já possuía gene de resistência ao vírus, eliminando a doença.

Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, a eliminação do vírus HIV em pacientes que receberam transplante de medula óssea pode trazer novas estratégias de tratamento. “O que aconteceu de diferente nestes dois casos relatados agora é que os pacientes receberam medulas de pessoas que não tinham esse gene de resistência, ou seja, eram pessoas que tinham uma medula dita ‘normal’. Durante toda a fase após o transplante, os pacientes continuaram tomando o coquetel de tratamento contra a Aids, mas após o procedimento não foi mais detectado o material genético do vírus HIV. Ou seja, mesmo fazendo o transplante de uma medula que seja naturalmente resistente ao HIV, lançando mão desse tipo de estratégia com transplante de células tronco, é possível, pelo menos em médio prazo, conseguir eliminar o vírus da corrente sanguínea”, ressalta.

O especialista explica ainda de que maneira o procedimento pode contribuir para a cura da doença e quais são as dificuldades para a implantação do transplante como metodologia de tratamento. “Na verdade, a grande barreira para o uso em larga escala dessa estratégia é que o transplante de medula óssea, ou seja, de células-tronco, é extremamente agressivo. Há uma mortalidade intrínseca do próprio transplante muito alta e só é feito em pessoas que têm outros motivos que tornam necessário o procedimento, como, por exemplo, uma leucemia. O transplante de medula óssea não pode ser feito em um indivíduo saudável objetivando apenas a eliminação do HIV, já que hoje existe tratamento muito eficaz, que garante expectativa e qualidade de vida muito boa”, revela.

Para o médico, o que os dois casos revelados pela pesquisa apontam é a possibilidade ou a existência de estratégias que consigam eliminar os reservatórios do vírus HIV que ficam dentro do material genético do indivíduo portador da doença. “Não necessariamente através do transplante de medula óssea, porque ele oferece risco de morte, mas pode levar à descoberta de outras estratégias que consigam o mesmo efeito”, completa Barbosa.

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