segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Campanha busca mais doadores de medula óssea no Litoral Norte de SC

Campanha busca mais doadores de medula óssea no Litoral Norte de SC Rafaela Martins/Agencia RBS

Há um ano e sete meses a vida da vendedora Simone Marques Marinho, 34 anos, é uma espera que parece eterna. Desde que descobriu que tinha leucemia, em janeiro de 2012, ela aguarda um doador compatível para fazer o transplante de medula óssea. Uma tarefa difícil. Estatísticas apontam que existe apenas um doador compatível em um grupo de 100 mil pessoas. 

Nenhum dos três irmãos, dos três filhos ou dos pais é compatível. Por isso, a própria família tomou a iniciativa e estendeu uma faixa, na Avenida do Estado, em Balneário Camboriú, para incentivar que as pessoas façam o cadastro e se tornem doadoras de medula óssea.
 
Foto: Rafaela Martins
— Existem dois tipos de leucemia, a mieloide e a linfoide. E eu tenho as duas, então só um transplante de medula para eu me curar — conta Simone.
Além da faixa, a vendedora e a família incentivam as pessoas através das redes sociais, com campanhas encampadas por eles próprios. Apesar de ainda não terem achado um doador compatível com Simone, eles conseguiram fazer com que o número de pessoas interessadas em doar a medula óssea aumentasse consideravelmente, como conta a enfermeira Milene Aparecida Machado, responsável pelo setor de transplantes do Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí.
— Em abril, quando a Simone fez uma campanha na internet, foram 88 cadastrados, o dobro do mês anterior, quando foram 47 — conta.
Mas nem sempre é assim. Em junho, seis pessoas se cadastraram. Em julho foram oito, e, em agosto, apenas uma pessoa fez o cadastro no Marieta, unidade responsável por atender toda a região. 

Segundo dados do hospital, são 1.207 pessoas cadastradas desde agosto de 2007, quando a unidade conseguiu a habilitação para fazer o cadastro de doadores. O número poderia ser maior, se as pessoas tivessem mais informação sobre o processo de transplante de medula óssea. Tese defendida tanto por Milene como por Simone.
— Muita gente pensa que vai tirar um pedaço da espinha — acredita a vendedora.
— Tem um pequeno incômodo. Mas é muito pequeno em relação ao benefício da pessoa que vai receber e também de toda a família — diz a enfermeira.
É fácil se tornar um doador
A enfermeira Milene Aparecida Machado explica que o tempo de espera para achar um doador compatível é de seis meses. Mas alguns casos podem se estender um pouco mais, como o da vendedora Simone Marques Marinho, que está há um ano e sete meses no aguardo. Por isso, frequentemente, o Hospital Marieta participa de eventos para divulgar a importância da doação de sangue, órgãos e medula óssea.
Para se cadastrar, o interessado precisa procurar a unidade. No local, serão colhidos 5 ml de sangue, que vai para o banco de medula ósseas. Assim que for achado um paciente compatível, o doador é chamado para o transplante. Antes disso, o doador tomará uma medicação por alguns dias para estimular a criação de células novas. Enquanto isso, o paciente passará por uma nova sessão de quimioterapia para poder receber a doação.
— Para retirar as células, o doador toma uma anestesia na espinha. O líquido é tirado no final da coluna, já na bacia. O que a pessoa vai sentir é um pequeno incômodo por causa da agulha — explica Milene.
A vendedora Simone, que aguarda ansiosa a chegada do doador, também não valorizava a importância de ser um doador de medula óssea até ficar doente. Diz também que, depois que teve o diagnóstico, começou a dar mais valor às pequenas coisas da vida. E já faz planos para quando ficar curada.
— Quero viajar mais e curtir bastante a minha família — comenta.
Você sabia?
l Transplante de medula óssea é a única esperança de cura para milhares de portadores de leucemia e algumas outras doenças do sangue.
l Qualquer pessoa com boa saúde entre 18 e 55 anos poderá ser um doador. A medula óssea é retirada do interior de ossos da bacia, através de punções e se recompõe em apenas 15 dias.
l Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as medulas do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a uma em um milhão.
l Por isso, são organizados Bancos de Doadores de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.
l Para o doador, será um incomodo passageiro. Para o paciente será a diferença entre a vida e a morte.
l O instituto nacional de câncer é responsável pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).
Como se tornar um doador
l Você deve ter entre 18 e 55 anos de idade e estar saudável
l Será retirada por sua veia uma pequena quantidade de sangue (5 ml)
l Seu sangue será tipado para HLA, que é um exame de laboratório para identificar sua característica genética
l Seu tipo de HLA será colocado no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome)
l Quando aparecer um paciente, sua compatibilidade será verificada
l Se for compatível, outros exames de sangue serão necessários
l Se a compatibilidade com o paciente for confirmada, você será consultado para decidir quanto a doação
l Seu atual estado de saúde será avaliado
l Procure um Hemocentro ou Banco de Sangue mais próximo a sua residência e cadastre-se. Na região, o Hospital Marieta Konder Bornhausen é credenciado

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