sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Crescimento do número de doadores de medula óssea aumenta chances de salvar vidas

Doação de medula óssea salvou a vida do estudante Thales Leonardo de Carvalho, de 20 anos
Em Minas Gerais, o cadastro de candidatos a doação de medula é feito pela Hemominas

Possibilidade de encontrar um doador compatível é de 1 em 100 mil; de 2000 a 2012, Hemominas realizou mais de 330 mil cadastros em Minas Gerais

“O que você fez é de valor e nobreza inestimável, e nem uma quantidade infinita de agradecimentos poderia significar sequer uma fração da minha gratidão”. Esse é o trecho inicial da carta que o estudante Thales Leonardo de Carvalho, 20 anos, escreveu para a doadora de medula óssea que salvou sua vida. Thales estava com leucemia e voltou a fazer planos para o futuro após ser transplantado com sucesso em 2010. “Nasci novamente”, frisa o jovem. O entusiasmo de Thales se justifica. A chance de encontrar um doador com medula compatível entre não parentes é de 1 em 100 mil. Portanto, quanto maior o número de candidatos cadastrados, maiores são as chances de se encontrar um doador. Entre irmãos as chances de compatibilidade são de, aproximadamente, 25% a 30%.

Em Minas Gerais, o cadastro de candidatos é feito pela Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemominas). “De 2000 a 2012 realizamos mais de 330 mil cadastros, que aumentam a cada ano. Orientamos os candidatos que procuram os hemocentros públicos e coletamos as amostras. Doamos esperança e, se tudo der certo, também vamos doar uma vida”, enfatiza a gerente da Hemominas, Heloísa Gontijo. A Hemominas colhe uma pequena amostra de sangue, de 5 a 10 ml, que será submetida ao exame de classificação da medula. As informações coletadas são enviadas ao Instituto Nacional do Câncer (Inca) para inclusão no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), que reúne os dados dos voluntários.

Quando o Redome identifica a compatibilidade, o doador é convidado a fazer novos exames. “Os doadores são chamados para fazer testes mais aprimorados para a confirmação. A avalição é feita no centro mais próximo da casa dele. Por uma questão de sigilo, receptor e doador não se conhecem”, esclarece o médico hematologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Gustavo Machado Teixeira. Desde 2009, o especialista é o responsável técnico pelo serviço de transplante no hospital. Uma das suas funções é avaliar as condições de saúde do voluntário para a doação, seja ela nacional ou internacional. “É muito difícil conseguir um voluntário. Em média, realizamos apenas seis procedimentos por ano”, conta. Em três décadas, o Redome registrou 1.700 transplantes executados no Brasil, que mantém o terceiro maior registro de doadores voluntários do mundo com mais de 3 milhões de cadastrados.

Para salvar vidas

Por entender a necessidade de aumentar o número de candidatos a doadores, o governador Antonio Anastasia publicou, neste mês, decreto em que solicita ampla divulgação do processo de cadastro, que pode ser feito em uma das 22 unidades da Hemominas que realizam o primeiro exame. Para se cadastrar é preciso ter entre 18 e 54 anos, boa saúde e não apresentar doenças, como as infecciosas ou as hematológicas, sendo indispensável apresentar documento oficial de identidade com foto. Após o cadastro, é importante que os candidatos mantenham atualizados os dados no Redome, o que poder ser feito pelo endereço eletrônico www.inca.gov.br/doador.


Candidato a "herói"

O técnico da Petrobras, Cristiano Augusto Andrade Penna, foi ao Hemominas acompanhado de sua namorada com a intenção de doar sangue e descobriu que, por causa do medicamento que tomava, não poderia fazer a doação. “Depois, li um folheto sobre doação de medula óssea. Fique interessado, procurei a Hemominas e disseram que eu poderia entrar no cadastro, que o fato de tomar o remédio não inviabilizava minha participação”, lembra.

Depois de aguardar dois anos, em 2012 Cristiano recebeu um telegrama do Redome. O documento dizia que o químico era compatível com um receptor, uma criança norte-americana. No Hospital das Clínicas, o doador fez mais exames e a compatibilidade foi confirmada. “Foi uma cirurgia pequena e senti quase nenhuma dor. Dormi e saí do hospital no dia seguinte. É um presente, uma benção que não podemos recusar. Vale a pena, não tenho dúvidas”, destaca Cristiano. Durante a operação são feitas punções no osso da bacia por meio de agulhas especiais. Apenas 10% da medula óssea é retirada e, dentro de poucas semanas, ela será recomposta pelo organismo.

“Muitas vezes, as pessoas não sabem da importância que isto tem. Uma pessoa que faz esse gesto está doando uma vida”, diz Thales, que reconstruiu sua vida após o transplante. Hoje, o jovem frequenta o quinto período de Relações Internacionais e leva uma vida normal. Assim como Thales, precisam ser transplantados pacientes com produção anormal de células sanguíneas, geralmente causadas por algum tipo de câncer no sangue, como leucemias e linfomas. Na medula óssea, são encontradas componentes sanguíneos importantes em grande quantidade, como hemácias, leucócitos e plaquetas.

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