sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Doadores de medula em Uberlândia não chegam a 2% comparado a MG

Gabriel Massote está emocionado com a notícia e aguarda o transplante (Foto: Gabriel Massote/Arquivo Pessoal)

O cadastro de doadores de medula óssea em Uberlândia soma menos 2% se comparado com os números do estado. Segundo dados do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), repassados ao G1, a cidade conta com 6.307 cadastros contra 355.781 de Minas Gerais. O levantamento foi feito até a última segunda-feira (19). Segundo a representante pela Liga da Medula na cidade, Érica Meireles de Moura, o número é considerado baixo e a principal causa pode ser a desinformação sobre o assunto.

Ainda segundo os levantamentos do Redoma, há 118 pessoas aguardando um doador compatível no estado. No Brasil, o número é de 1.230. Mas pelo sistema não foi possível constatar quantos pacientes aguardam na fila por uma doação em Uberlândia.

Na semana passada, o G1 contou a história de Gabriel Massote, de 29 anos. Ele é uberlandense e sofre de leucemia desde 2011. O jovem já encontrou sua doadora de medula óssea e aguarda o transplante, que deve ocorrer no fim deste mês ou no início de setembro. Gabriel Massote usou as redes sociais e o blog pessoal para agradecer a doadora e incentivar as doações. Numa das escritas ele salientou que a luta não pode parar e que há muitas vidas a serem salvas por meio da doação.

Apesar do cadastro de doadores poder ser feito de forma simples nos Hemocentros do país, ainda há desinformações quando se trata da doação de medula. A representante da Liga da Medula de Uberlândia disse à reportagem que o baixo número de cadastros na cidade pode ser devido à desinformação ou a informações erradas sobre o assunto.
Para o doador é apenas um incômodo passageiro. Já para o paciente poderá ser a diferença entre a vida e a morte"
Érica Meireles
Érica Meireles explicou que há muito mitos que rodeiam a doação e também dificuldades de encontrar pessoas compatíveis. “Tudo seria muito simples e fácil se não fosse o problema da compatibilidade entre as medulas do doador e receptor. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a uma em um milhão. A doação de medula é um ato de amor ao próximo, pois quando nos cadastramos propomos a doar nossa medula a alguém que não conhecemos, não sabemos sua história de vida, apenas de que aquela pessoa precisa de uma medula para continuar vivendo”.

O problema da compatibilidade pode ser amenizado com o aumento dos cadastrados. A responsável pela Liga acrescentou que quanto mais pessoas mais chances de se encontrar o doador ideal para os pacientes que precisam de transplante. Depois de encontrar o doador compatível, ele é consultado sobre a doação e, em seguida, passa por rigorosos exames para avaliação da saúde e, se tudo estiver certo, passa para a doação da medula óssea.

Sobre os mitos, Érica Meireles falou que um dos mais comuns é confundir a medula óssea com a medula espinhal. Ela explicou que a medula óssea é um tecido gelatinoso e se encontra dentro das cavidades ósseas. A medula espinhal é parte do sistema nervoso e fica dentro da coluna vertebral. “Justamente por esta dúvida, muitas pessoas ficam preocupadas em doar medula, pois ouvem falar em pessoas que ficam paraplégicas por acidentes com a coluna vertebral, mas uma coisa não se relaciona com a outra, medula óssea é diferente de medula espinhal”, afirmou.

A representante da Liga ainda ressaltou que muitas pessoas acreditam que o procedimento é complicado, muito doloroso e que necessita de um longo afastamento do trabalho. Ela salientou que a dor é tolerável e que o doador necessita de analgésicos simples por no máximo três a quatro dias após a coleta da medula óssea. “Para o doador é apenas um incômodo passageiro. Já para o paciente poderá ser a diferença entre a vida e a morte”, concluiu.
Érica fala sobre mitos e verdades da doação de medula óssea (Foto: Érica Meireles/Arquivo Pessoal)Érica fala sobre mitos e verdades da doação de medula óssea (Foto: Érica Meireles/Arquivo Pessoal)
Cadastro
Para se cadastrar como doador (a) a pessoa deve ter entre 18 e 54 anos e bom estado de saúde. Érica Meireles disse que o processo é simples e que basta se dirigir ao Hemocentro mais próximo na cidade levando um documento com foto e dois números de telefones para contato. “Não é necessário agendamento e nem jejum. No cadastro a pessoa irá preencher uma ficha com dados e contatos e assinar um termo de consentimento e, em seguida, será feita a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para a tipagem de HLA (que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas)”, explicou.
Após o processo, os dados do doador são inseridos no banco do Redome e os cadastrados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea constantemente. Se a compatibilidade for confirmada, a pessoa é consultada para confirmar que deseja realizar a doação. “A doação de medula óssea é um gesto de amor e solidariedade ao próximo”, disse a responsável pela Liga da Medula.
Para se cadastrar não há necessidade de peso mínimo. Pessoas que fizeram tatuagem há menos ou há mais de um ano também podem se cadastrar.
Em Uberlândia, o cadastro pode ser feito no  Hemocentro Regional da cidade, que fica localizado na Avenida Levino de Souza nº1.845, no Bairro Umuarama. Mais informações sobre o cadastro podem ser obtidas no local ou pelo telefone (34) 3222-8801.
O transplante de medula ainda não é realizado em Uberlândia. Caso o doador for compatível com o paciente, ele será encaminhado ao hospital mais próximo da cidade que faça a coleta da medula óssea, geralmente em Belo Horizonte ou São Paulo. Todas as despesas da viagem são de responsabilidade do Redome e o doador poderá levar um acompanhante.
Transplante
A doação de medula óssea pode ser realizada em duas formas básicas e o médico decidirá qual será a mais indicada. Nos dois casos a medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias.
No primeiro caso, o doador é anestesiado em centro cirúrgico. A medula é retirada do interior dos ossos da bacia por meio de punções com agulhas. Os doadores retornam às suas atividades habituais uma semana após a doação.
O segundo procedimento chama-se aférese. O doador toma um medicamento que faz com que as células da medula óssea circulem na corrente sanguínea. Estas células são retiradas pelas veias do braço do doador, com uso da máquina de aférese.
Liga da Medula desenvolve trabalhos de divulgação nas ruas de Uberlândia (Foto: Érica Meireles/Arquivo Pessoal)Liga da Medula faz trabalhos de divulgação nas ruas de Uberlândia (Foto: Érica Meireles/Arquivo Pessoal)
Liga da Medula em Uberlândia
A Liga da Medula Óssea é uma associação de amigos, que tem por finalidade ajudar na divulgação e na propagação da conscientização da doação de medula óssea para pacientes com leucemia ou com outras doenças do sangue. Érica Meireles contou que equipes vão em espaços públicos e espalham panfletos com informações sobre a doação de medula. O grupo também fala sobre o assunto em espaços universitários e onde tiverem oportunidades.
A Liga ainda trabalha com campanhas externas, juntamente com apoio dos Hemocentros. “Nas redes sociais tentamos aproveitar o espaço pra divulgar a doação de medula óssea, tentando desmistificar e quebrar os tabus. Divulgamos também sobre a doação de sangue e plaquetas. Nosso lema é: Um dia na sua vida, por uma vida inteira”, afirmou Érica Meireles.

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