domingo, 15 de setembro de 2013

EUA destinam fundos públicos a polêmica pesquisa com células-tronco

Um laboratório americano de biotecnologia, respaldado pelo Vaticano, recebeu esta sexta-feira uma subvenção governamental de 1,2 milhão de dólares para financiar uma polêmica pesquisa sobre tecidos e células-tronco não embrionárias.
Com sede em Nova Jersey (leste), a empresa NeoStem investiga células muito pequenas similares às embrionárias. Estas células, chamadas VSEL (very small embryonic-like cells, em inglês), foram encontradas na medula óssea de um adulto e, segundo esta empresa, provavelmente podem regenerar-se em vários tipos de tecidos.
A pesquisa gerou polêmica na comunidade científica pelo acordo de marketing existente entre a NeoStream e o Vaticano, e também porque três estudos independentes não conseguiram confirmar a existência das células VSEL.
O último financiamento recebido pela NeoStream de parte do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), alcançou 1.221,854 dólares, e era para fazer um tratamento experimental com VSEL para regenerar tecidos danificados pela periodontite, uma doença que afeta as gengivas.
A NeoStream, junto com outras instituições associadas, já recebeu um total de 4,5 milhões de dólares em subvenções estatais para pesquisas, entre elas do Departamento de Defesa e do NIH.
Segundo a companhia, um ensaio de fase 2 pode começar no fim do ano ou no início de 2014, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Michigan (norte).
Em julho, cientistas da Universidade de Stanford, Califórnia, informaram à revista Stem Cell Reports não ter conseguido replicar as descobertas das células-tronco da empresa NeoStream na medula óssea de ratos de laboratório.
Para eles, estas células eram na verdade restos de células mortas ou simplesmente incapazes de reproduzir células vivas.
Outras duas pesquisas, publicadas em 2012 e 2013 na revista PLoS One, tampouco conseguiram detectar estas células.
A pesquisa com células-tronco é promissora para tratar todo tipo de doenças, da cegueira até a paralisia, mas continua sendo controversa por motivos religiosos e políticos e enfrenta barreiras legais relacionadas às patentes.

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