quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Fila para transplante de medula óssea chega a 8 meses

Nara Lemos / Arquivo pessoal
Depois de quatro meses de espera, Pedro recebe nesta quarta-feira a nova medula (Foto: Nara Lemos / Arquivo pessoal)
Depois de quatro meses de espera, o menino Pedro Lemos Sanches vai realizar, nesta quarta-feira (11), um transplante de medula óssea. Com uma leucemia detectada em outubro do ano passado, a esperança para a criança de dois anos surgiu na Alemanha, onde mora o doador que tem a medula compatível com a sua.
Apesar do tempo de espera ser longo e penoso, o caso de Pedrinho pode ser considerado uma exceção: normalmente, a fila de espera para a realização de um transplante no país é de seis a oito meses.
Essa demora ocorre por causa de um descompasso entre o número de pessoas cadastradas como doadoras - que hoje é de cerca de três milhões - e o número de leitos disponíveis, que não cresceu nos últimos 15 anos.
“No Brasil as coisas não andam paralelas. Hoje todos os hospitais têm uma fila de espera de, pelo menos, seis a oito meses, incluindo o HC de Ribeirão. Houve aumento do número de doadores, mas não aumentaram os leitos para esse tipo de atendimento. No país inteiro são só 276 leitos ativos”, explica a coordenadora da Unidade de Transplante de Medula Óssea do HC de Ribeirão Preto, Belinda Simões.
Ela diz que existe protocolo de prioridade para o atendimento. No entanto, nos casos em que há dez pacientes com a mesma doença, faz o transplante primeiro quem foi cadastrado primeiro no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea).
Em Ribeirão Preto são seis leitos ativos para esse procedimento. No entanto, o hospital precisaria de, pelo menos, 20 leitos, segundo Belinda.
O hospital entrou com um processo pedindo a ampliação para mais dois leitos, que está em trâmite em Brasília. A verba para ampliação de dois leitos tem um custo pouco superior a R$ 1 milhão.
Por conta dos poucos leitos, o hospital tem ficado com uma média de 60 transplantes de medula por ano.
“Temos tentado otimizar os leitos. Saiu um paciente, a gente põe outro”, explica Belinda. 
Este ano o HC já fez 44 transplantes de medula.
Pedro esperou quatro meses
O 45º transplante de medula óssea no Hospital das Clínicas será realizado, nesta quarta, com o menino Pedro Lemos Sanches, de apenas 2 anos.
Em julho, o A Cidade mostrou o drama do garoto que, após ter um doador 100% compatível encontrado na Alemanha, não conseguia encontrar um leito vago no hospital para poder realizar o transplante.
Isso porque todos os leitos do hospital estavam ocupados e não havia previsão de quando um deles estaria vago para que ele pudesse passar pelo procedimento. No final de agosto, porém, um leito ficou vago e o menino foi chamado, após uma espera de quatro meses.
Pedro passou por diversas sessões de quimioterapia para matar a medula doente e poder receber a nova. 
Um funcionário da equipe de transplantes foi buscar a medula na Alemanha, que será infundida em Pedro, em um processo semelhante a uma transfusão de sangue.
Infográficos / A Cidade

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