segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Família faz 'pedágio' para custear o tratamento de jovem com linfoma

Familiares e amigos de Renato se reuniram para arrecadar dinheiro em avenida de São Carlos (Foto: Aline Ferrarezi/G1)

Familiares e amigos de um jovem de 18 anos com linfoma não-Hodgkin, com infiltração na medula óssea, realizaram um pedágio solidário neste sábado (11), em São Carlos (SP), para arrecadar dinheiro e ajudar a custear o tratamento, que fica em torno de R$ 2 mil mensais. A doença, diagnosticada há dois meses, é um tipo de câncer que afeta as células do sangue. O ator Reynaldo Gianecchini e a presidente Dilma Rousseff tiveram o linfoma em 2011 e 2009, respectivamente.
Renato Júnior nasceu em São Carlos e descobriu a doença em novembro do ano passado, quando tinha 17. Febre excessiva e dor na garganta fizeram com os pais buscassem ajuda médica, mas o problema não era diagnosticado.

“Apareceu um caroço na garganta, depois outro embaixo do braço. Ele também teve uma crise muito forte, contraía o abdome, dor nas costas, falta de ar. Perdeu 12 quilos em quatro meses”, contou a mãe, Eliane Alessandra Pereira. Após gastar cerca de R$ 4 mil com exames, ouviu de um oncologista que o filho tinha um câncer maligno e que deveria começar imediatamente as sessões de quimioterapia.
A notícia foi um choque para Eliane, que já vivia o drama de ter perdido um bebê durante os meses em que tentava descobrir o problema de saúde de Renato. “Nossa vida virou de ponta cabeça. Ainda não aceito, tomo calmantes. Mas meu marido e eu precisamos nos mostrar fortes”, relatou.
Pedágio solidário em São Carlos arrecadou dinheiro para tratamento de jovem de 17 anos com linfoma (Foto: Aline Ferrarezi/G1)Pedágio solidário em São Carlos arrecadou dinheiro para tratamento de jovem (Foto: Aline Ferrarezi/G1)
Tratamento
O linfoma de Renato atingiu a medula óssea e já começa a afetar o baço, contou a mãe. O jovem faz quimioterapia a cada 15 dias na Santa Casa de São Carlos. Cada sessão dura de quatro a cinco horas. O tratamento levará um ano e logo após o jovem passará por radioterapia por mais 12 meses.
Renato com a mãe Eliane (Foto: Eliane Alessandra Pereira/Arquivo pessoal)O jovem Renato de 18 anos com a mãe
Eliane (Foto: Eliane  Pereira/Arquivo pessoal)
A medicação deixa Renato debilitado, por isso ele precisa de uma alimentação diferenciada, como arroz, carne branca, pães, verduras, de preferência sempre produtos orgânicos. Renato necessita ainda de um suco especial que ajuda a aumentar a imunidade. Segundo a mãe, ele toma três caixinhas de 200 ml antes e três depois da quimio. O produto é importado e custa cerca de R$ 27 cada caixa.

Ajuda
A família recebe doação de amigos, mas diz ter um gasto aproximado de R$ 2 mil mensais entre alimentos e remédios. Alguns desses medicamentos são fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Professora de educação infantil, Eliane ganha cerca R$ 780, mas teve que se afastar do trabalho para cuidar do filho. Ela conta com a ajuda do marido, que é músico e tem uma renda mensal aproximada de R$ 1,2 mil.

Uma campanha na internet criada em dezembro já arrecadou até agora pouco mais de R$ 6 mil para ajudar Renato. Professoras da escola de Eliane também fazem rifas e outras pessoas contribuem como podem. Os interessados em ajudar a família podem entrar em contato pelo telefone (16) 99343-5359.
Renato na festa organizada pelos amigos (Foto: Renato Junior/Arquivo pessoal)Renato na festa organizada pelos amigos
(Foto: Renato Júnior/Arquivo pessoal)
Saudável
Renato sempre foi saudável e nunca deu trabalho, contou a mãe. O jovem gosta de futebol, de videogame e de frequentar academia. Formando no ensino médio, optou por estudar mecânica em curso técnico.

Enquanto trata a doença, ele descansa em casa e conversa com amigos pela internet. “Ele queria muito fazer uma festa de 18 anos, mas como não tínhamos condições os amigos compraram bolo, salgados e se reuniram para comemorar. Ele ficou muito feliz”, contou a mãe.

Eliane disse ainda que Renato tem se mostrado forte e otimista com o tratamento. “Quando o médico disse que o cabelo cairia com a quimioterapia, meu filho disse que não tinha problemas, pois usaria boné. Ele é guerreiro e tem dado muita força para nós. O maior sonho dele no momento é a cura”, relatou a mãe.

Doença
O linfoma não-Hodgkin é uma neoplasia do sistema linfático na qual as células linfáticas (responsáveis por combater infecções e doenças) começam a se modificar, multiplicando-se sem controle e formando tumores.

Segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), o linfoma pode causar muitos sinais e sintomas diferentes, dependendo de sua localização no corpo. “Não é uma doença rara e atinge pessoas de diversas faixas etárias, sendo frequentemente mais agressiva em jovens”, explicou Artur Malzyner , oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, e consultor científico da  Clínica de Oncologia Médica (Clinonco).

"Existe uma série de fatores de predisposição. Muitas vezes existem vírus que se associam aos linfomas. O paciente com Aids tem mais probabilidade de desenvolver o linfoma em decorrência do vírus e da baixa imunidade da pessoa. Não conhecemos nenhuma forma eficiente de prevenção”, afirmou o médico que também é Membro Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

O especialista disse ainda que o tratamento do linfoma é ativo e que muitos pacientes são curados logo no início. “Cerca 50% são curados ao longo do processo com o tratamento adequado”, informou.
Pedágio solidário
Outras três famílias de São Caros recorreram às ruas para conseguir ajuda em tratamentos de saúde. Em setembro de 2012, a mãe de Caliane Boni Roque da Silva organizou um pedágio solidário e arrecadou dinheiro para a cirurgia da filha.

Em fevereiro de 2013, familiares e amigos de Renato Cordeiro Mecca também pediram ajuda para trazer o professor de educação física de volta ao Brasil após ele sofrer um acidente de moto na Indonésia.

Por fim, a mãe de um menino de 4 anos também foi às ruas em junho atrás de recursos paracomprar uma cadeira rodas para a criança que sofre de paralisia cerebral.

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