segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pacientes do Hospital Amaral Carvalho praticam corrida

Elas encontraram no esporte força para superar a doença e melhorar a qualidade de vida
 
Manoela Gabriela Coelho Grangeiro Martins, completa 28 anos neste mês. Mora em Boa Vista, Roraima, é casada e não tem filhos. Foi diagnosticada com leucemia em 2004 e, em abril de 2005, passou por um transplante de medula óssea. Heloísa Helena Pereira Campanha, 49 anos, formada em matemática, mora em Barra Bonita, interior de São Paulo, é casada e tem uma filha. Em outubro de 2011, foi diagnosticada com câncer de ovário em estágio avançado.
 
Além de serem pacientes do Hospital Amaral Carvalho (HAC), referência em tratamento de câncer e transplantes de medula óssea, essas duas mulheres têm algo em comum: encontraram no esporte, mais especificamente na corrida, uma maneira de dar a volta por cima.
 
Manoela 
 
A jovem conta que foi a primeira pessoa no Estado de Roraima a ter um transplante de medula óssea bem sucedido. Ela, que passa por consultas de acompanhamento uma vez ao ano no HAC, afirma que antes da doença realizava atividades físicas esporadicamente. Como seu pai e esposo praticam corrida, a jovem resolveu tentar. “Entrei para um grupo em minha cidade, o Papaléguas, e passei a treinar. No início foi difícil, mas comecei a participar de corridas, tive incentivo dos amigos e da família e hoje não paro de correr.”
 
Em outubro de 2013, Manoela participou de uma corrida contra o câncer de mama, em São Paulo. Propositalmente, sua consulta no HAC foi agendada para o dia posterior à corrida, para aproveitar a viagem. No hospital, mostrou, orgulhosa, as medalhas que conquistou durante o ano. 
 
Das corridas que participou, ela lembra de uma experimental, com saída da Guiana, no norte da América do Sul, e chegada no Brasil. “Foi interessante, mas muito cansativo”, diz. Em setembro do ano passado, representou Roraima em uma competição no Acre e já faz planos para participar de uma ultramaratona na Venezuela, neste ano.
 
E os sonhos são muitos. Manoela também quer subir o Monte Roraima. “São dois ou três dias de subida, dois dias lá em cima, e mais uns dois ou três dias de descida. Dizem que no topo chega a fazer zero graus. Pedi aos médicos que me acompanham no HAC e eles não deixaram, brincaram dizendo que só posso ir de helicóptero, se quiser. Vou esperar completar 10 anos do transplante para ver se me liberam”, insiste.
 
Heloísa
 
Depois de passar por uma cirurgia e algumas sessões de quimioterapia no HAC, Heloísa sentiu que precisava encontrar uma maneira de mostrar sua renovação. “Queria deixar claro que estava bem, que me sentia bem, principalmente pela minha filha. Não queria que ela se abatesse. Eu estava feliz, forte e precisava compartilhar isso com as pessoas que torciam por mim.” 
 
Em julho de 2012, lá foi então Heloísa, iniciar os treinos para participar de uma maratona. Ela, que sempre pensou na qualidade de vida, optou pela corrida como um desafio pessoal e um benefício para sua saúde. 
 
Salvo os dias em que tomava a medicação (quimioterapia), não perdia um dia de treino. Heloísa chegou até a cogitar a hipótese de vir para as sessões de quimio no HAC de bicicleta, 25 km. “Minha médica achou melhor não”, conta rindo.    
 
Sua primeira maratona foi em outubro de 2013, quando correu 42 km em 5 horas e 33 minutos. A realização foi, para ela, muito emocionante. No mês passado, foi a vez da Corrida de São Silvestre alegrar a vida de Heloísa. “A prova é uma grande e linda festa, foi um fechamento de ano com chave de ouro”, relata. 
 
Além de correr, ela mantém um blog (www.raceagainstcancerblog.wordpress.com). Lá, conta sobre cada obstáculo superado, as maratonas e corridas das quais participa, com muitos detalhes. Vale a pena conferir.
 
Benefícios
 
As ex-pacientes do HAC são só elogios à prática de atividades físicas com acompanhamento de profissionais. Heloísa conta que, logo que começou a treinar, sentiu que sua saúde melhorou. “Os exercícios reduziram minha ansiedade, refletiram na qualidade do sono e até no equilíbrio emocional. Nunca pensei que a corrida fosse me motivar tanto”, afirma. 
 
Para Manoela, incentivar as pessoas a praticar esportes é muito importante. “Depois que comecei a me exercitar, tenho mais resistência, mais vontade e mais saúde”, salienta.
 
A barrabonitense Heloísa afirma que as pessoas precisam se reinventar, buscar objetivos inspiradores e desafiadores. E ela dá um conselho: “No mundo, existem coisas e emoções lindas. Vire a página, siga em frente, não se lamente, nem desanime. Acredite em si mesmo e desenvolva atividades que nunca experimentou antes.”


 

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