quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Fernandopolense poderá ser doador de medula óssea



FERNANDÓPOLIS - No Brasil, muitas são as campanhas de mobilização para o cadastramento e doação de medula óssea, porém, embora o procedimento seja simples e rápido, encontrar uma pessoa compatível com um paciente que necessita de um transplante é algo bem mais complicado. A chance de uma pessoa ser compatível é de 1 em cada 100 mil. 

Nos últimos anos, o número de doadores voluntários tem aumentado expressivamente e hoje o número de candidatos à doação de medula óssea chega a 2 milhões. O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (5 milhões de doadores) e da Alemanha (3 milhões de doadores). 

Em Fernandópolis, os trabalhos de conscientização para que a população se solidarize e efetue o cadastro também são constantes e foi numa dessas campanhas, em 2012, que Wellington Rodrigo Kouti Moreira, 31 anos, resolveu fazer parte do grupo de colaboradores se tornando um doador. 

O que Rodrigo não esperava é que dois anos mais tarde, há cerca de quinze dias, fosse comunicado através do REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) que era compatível com um paciente. 
Segundo Rodrigo, a notícia a princípio causou espanto. “Embora eu tenha feito o cadastro, pela pequena chance de compatibilidade, nunca imaginei que um dia pudesse ser um doador, mas depois fui assimilando as coisas e pude constatar que realmente era como se eu tivesse ganhado um prêmio. Sinto-me pronto para fazer a doação e poder ajudar a salvar uma vida”, relatou Kouti. 

Rodrigo recebeu o primeiro contato do REDOME na primeira semana de julho, em seguida procurou o Hemocentro de Fernandópolis para obter informações sobre a possível doação, foi submetido a novos exames que foram enviados para o Hemocentro de Ribeirão Preto. Após contato com o receptor, que atualmente está internado na cidade de São Paulo, o REDOME notificará Rodrigo se a doação realmente será possível, constatando seu grau de compatibilidade com o paciente, que é de no mínimo 85%. 

Se for aceitável o transplante, Rodrigo será o segundo morador de Fernandópolis doador de medula, o primeiro foi Adauto Arouca, no ano de 2010. Segundo dados do Hemocentro do município, 25 pessoas já tiveram a possibilidade de fazer a doação, porém, exames posteriores mostraram que a compatibilidade não era suficiente 
para o transplante. 

DOADOR ASSÍDUO 

Rodrigo chegou ao Brasil há cerca de quatro anos, após viver por 15 anos no Japão. Ele afirma que desde que completou maior idade é doador assíduo de sangue a cada três meses, e logo que chegou a Fernandópolis resolveu fazer seu cadastro para também ser doador de medula. 

FERNANDÓPOLIS EM CAMPANHA 

A família de João Pedro Moreira Azevedo, de 6 anos, continua a corrente de mobilização aos fernandopolenses e toda região para que ajudem o garoto que há mais de três anos luta contra a leucemia. O menino, morador da cidade, já ganhou a admiração da população que pode continuar contribuindo para encontrar um doador de medula 
compatível para João Pedro. 

A expectativa é grande na corrida pra salvar a vida da criança e várias campanhas já foram realizadas em toda a região, porém ainda não foi encontrado ninguém compatível. 

A DOENÇA 

A leucemia é um tipo de câncer que agride os glóbulos brancos produzidos pela medula óssea. Pode ser mieloide ou linfoide e se apresentar de forma aguda ou crônica. A leucemia é a doença maligna mais comum na infância, correspondendo aproximadamente a 30% dos casos de câncer da criança. 



QUEM PODE DOAR 

Para ser candidato a doador de medula óssea é preciso ter entre 18 e 55 anos incompletos, estar em bom estado de saúde, portar documento de identidade oficial com foto e preencher um formulário. São coletados 5 ml de sangue (amostra) para a análise do código genético de compatibilidade (histocompatibilidade, HLA) com prováveis receptores. 

Os dados, juntamente com o resultado do exame de HLA, serão incluídos no REDOME. Quando aparecer um paciente, a compatibilidade será verificada com o possível doador que fará um exame clínico para confirmar o bom estado de saúde. 

Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. Se a compatibilidade for confirmada, a pessoa será consultada para decidir sobre a doação. 

Josanie Branco-Jornal O Extra

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