segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Cientistas tentam replicar tratamento que teria curado HIV em paciente de Berlim


Uma equipe médica de Atlanta, nos Estados Unidos, testou em animais um tratamento experimental para tentar replicar o processo pelo qual passou Timothy Ray Brown, conhecido como o paciente de Berlim, a única pessoa que  teria se curado do HIV (vírus da aids) até hoje. As conclusões, publicadas na revista "Plos Pathongens", apontam para a influência, embora não definitiva, da quimioterapia.

A equipe apurou a contribuição que a radiação teve no processo ao qual Brown foi submetido, em 2007, para eliminar as células afetadas pelo vírus. 

O caso do paciente de Berlim é único no mundo. Após diagnosticá-lo com HIV, os médicos detectaram uma leucemia mieloide aguda, tipo de câncer que afeta o sistema imunológico.

Além do tratamento com retrovirais, Brown foi submetido a radiações de quimioterapia e radioterapia, e recebeu um transplante de medula óssea de um doador com uma mutação que suprime a função do gene CCR5, codificador da proteína que facilita a entrada do HIV nas células humanas.

Após o tratamento, o paciente se curou da leucemia e teve seus níveis de HIV reduzidos a uma quantidade quase indetectável.

Teste com macacos

Três macacos foram submetidos ao mesmo processo que Brown, para investigar como o tratamento do câncer pode ter influenciado a redução do HIV. Depois, eles foram tratados com antirretrovirais, submetidos à radioterapia e receberam um transplante de células-tronco de sua própria medula óssea antes que fossem infectados.

Os pesquisadores descobriram que a radiação acabou com a maioria de suas células afetadas, incluindo entre 94% e 99% das células-tronco do tipo denominado CD4, alvo principal da infecção por HIV no sangue, que contém o receptor CCR5.

No entanto, ao deixar de administrar os antirretrovirais, dois dos três os animais voltaram a desenvolver o vírus a níveis anteriores. O terceiro sofreu uma insuficiência renal e teve que ser sacrificado. Na autópsia, verificaram que ainda tinha sinais do vírus nos tecidos, comprovando que nenhum dos três se curou totalmente.

O estudo sustenta a ideia de que, embora não seja suficiente para eliminar o vírus, a radiação pode reduzir os níveis de HIV, apesar de ressaltar a importância que teve a mutação da doadora de medula no caso do paciente de Berlim.





Fonte: Agência EFE 

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