sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A ESPERA DE UM DOADOR



 
Catarina, de 5 anos, está em busca de um doador para se salvar de leucemia Menina faz tratamento no Hospital da Criança para ter a chance de receber um transplante de medula óssea. A família procura alguém compatível que possa ajudar a pequena

Vestida com uma blusa da Peppa Pig, personagem de um desenho animado que faz sucesso entre as crianças, short jeans, uma saia de tule rosa e com os cabelos curtos penteados com duas pequenas maria-chiquinhas, Catarina chega para mais uma sessão de medicamentos no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). A menina de 5 anos precisa tomar uma injeção dolorida, cerca de dez vezes mais do que a benzetacil. Tudo por causa da leucemia linfoide aguda cortical T que desenvolveu há dois anos. Agressiva, a doença é difícil de ser controlada. Uma das únicas esperanças de cura passa pelo transplante de medula óssea. E é por um doador que a família de Catarina aguarda ansiosamente.

Mãe da garota, Nádia Melo, 38, conta que toda a família já fez o exame de compatibilidade, mas o resultado foi negativo. Agora, a dona de casa enfrenta uma batalha contra o tempo para encontrar alguém compatível com Catarina até o momento em que a filha terminar o tratamento que a prepara para o transplante — o mais rápido possível, segundo os médicos.

A leucemia de Catarina apareceu em junho de 2012. “Ela começou a ter um sangramento no nariz e eu achei suspeito. Quando apresentou febre, comecei a levá-la aos médicos”, lembra Nádia. À época, a família em Santana do Livramento (RS), e os especialistas liberavam Catarina afirmando se tratar apenas de uma virose. Pouco tempo depois, Nádia voltou para Brasília, onde morava antes de ir para o Sul. Resolveu fazer mais uma consulta por aqui e, então, surgiu a suspeita da doença. “No mesmo dia, começamos o tratamento”, conta.

A doença estava em estágio avançado, mas por ser a leucemia linfoide aguda, que responde bem aos tratamentos de quimioterapia, entrou em remissão — fase em que a doença não apresenta sinais de atividade. “Ela ficou um ano e quatro meses assim. Foi incrível: a Tata respondeu muito bem ao tratamento”, sorri Nádia, citando o carinhoso apelido da filha. No entanto, há dois meses, a leucemia voltou. Catarina teve uma virose e, em seguida, os exames identificaram a doença novamente. Por causa da recaída, os médicos explicaram que a única chance de cura completa é o transplante. Desde então, enquanto a menina faz tratamentos para destruir as células malignas, a família procura possíveis doadores.

Nádia tenta manter a força pelas filhas — além de Catarina, ela é mãe de Giovana Melo Maciel, 8. “As duas são muito amigas e isso é maravilhoso. A Giovana entende que, muitas vezes, precisamos dar mais atenção para a Catarina, e ela mesma faz mais as vontades da irmã”, conta a mãe, que largou o emprego para cuidar das filhas.

Para ela, em momentos críticos, é a força da dupla que permite seguir em frente. “Quando temos um diagnóstico desses, só temos duas opções: ou você luta ou se entrega. Eu luto pela minha família e, quando choro ou fico mais triste, a Catarina me diz que não preciso chorar, pois não irei perdê-la. Ela fala que fará o tratamento e tudo vai ficar bem”, diz, emocionada. A principal batalha agora é pela doação de medula. Nádia faz um apelo para que as pessoas se cadastrem no Hemocentro para que possam salvar vidas. “Você não perde nada (ao doar) e logo se recupera. Com um simples gesto, pode salvar a vida de uma criança, que tem tantos anos para viver pela frente. Doar medula, mais do que doar vida, é doar esperança.”

A doença

A hematologista pediatra Isís Maria Quesado Magalhães explica que a leucemia é um câncer que ataca a medula óssea. Na medula, são produzidas as células-mãe, que dão origem aos três tipo de células sanguíneas, responsáveis por abastecer todo o corpo. Quando a pessoa tem leucemia, as células passam a se reproduzir com defeito e não se tornam sanguíneas. Doentes, elas se multiplicam, preenchem a medula e impedem a produção de sangue.


Para saber mais

Amostra

Para ser doador de medula óssea, basta se dirigir ao Hemocentro de Brasília, retirar uma pequena quantidade de sangue para amostra e fornecer os dados gerais. Caso seja compatível com alguém que precise, o Hemocentro entra em contato. No procedimento médico, é retirada uma quantidade de medula do osso ilíaco da bacia, que contém células jovens capazes de produzir os três componentes do sangue. Em seguida, o líquido é injetado na circulação venosa do paciente. O procedimento é feito com anestesia e em 15 dias o doador está completamente recuperado. (Ailim Cabral).


Ajude

Hemocentro de Brasília

Setor Médico Hospitalar Norte, Quadra 03, conjunto A,
Bloco 03, Asa Norte

Informações: 160 (opção 2)
ou 3327-4424

Contato direto com Nádia:
nadiamaciel7@hotmail.com
e 9668-0328 


http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2014/11/11/interna_brasil,542038/catarina-de-5-anos-esta-em-busca-de-um-doador-para-se-salvar-de-leucemia.shtml

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